quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Jornalismo Impresso - Origem e Evolução

Postado por Rita Andrade

JORNALISMO IMPRESSO

ORIGEM E EVOLUÇÃO
As pessoas se interessam pela notícia desde os primórdios da civilização, na Antiguidade as informações eram difundidas em todas as partes do mundo antigo. As primeiras reproduções da escrita foram obtidas sob um suporte de cera ou de argila com os selos cilíndricos e cunhas e foram encontrados nas cidades da Suméria e da Mesopotâmia do século XXVIII a.C.

O primeiro jornal em papel foi publicado como um panfleto manuscrito a partir de 713 d.C., em Pequim, na China. O primeiro jornal regular foi a Acta Diurna, que era afixada no Fórum Romano e nos espaços públicos, com informações sobre jogos, notícias militares, cerimônias religiosas, dentre outras. Este tipo de boletim-mural também esteve presente em outras civilizações antigas como no Egito, na Babilônia e na Grécia.

Em 1440, Gutenberg desenvolve a tecnologia da prensa móvel, utilizando os tipos móveis: caracteres avulsos gravados em blocos de madeira ou chumbo, que eram re arrumados numa tábua para formar palavras e frases do texto, revolucionando a comunicação ao possibilitar a produção de livros, jornais, boletins e demais documentos em grande escala. O primeiro livro imprenso por ele foi a Bíblia.

Na Baixa Idade Média, as folhas escritas com notícias comerciais e econômicas eram muito comuns, em Veneza, as folhas eram vendidas pelo preço de uma gazeta, moeda local, de onde surgiu o nome de muitos jornais publicados na Idade Moderna, e na Idade Contemporânea.
Entre 1452 e 1470, a imprensa conquistou nove cidades germânicas e várias localidades italianas, bem como Paris e Sevilha. Dez anos depois, registrava-se a existência de oficinas de impressão em 108 cidades; em 1500, o seu número era de 226.

Durante o século XVI Veneza continuou a ser a capital da imprensa, seguida por Paris, Leon, Frankfurt e Antuérpia. A Europa tipográfica começava a deslocar-se de Itália para os países do Norte da Europa, onde funcionava como elemento difusor do humanismo e da Reforma oriunda das cidades italianas.

Surgem então os primeiros jornais, o semanário, Nieuwe Tydingen em 1605, na Antuerpia. Em toda a Europa outros jornais surgiam como o Frankfurter Journal em 1615, Gazette van Antwerpen, em 1619, Weekly News, em 1622 e Gazette de France em 1631, sendo a França e a Alemanha os países onde o jornalismo se desenvolveu mais rapidamente.

O primeiro jornal em português foi fundado em 1641, em Portugal: era A Gazeta, de Lisboa. Já nas Américas o primeiro jornal dos Estados Unidos, The Public Ocurrences, foi fundado em 1690, 85 anos depois da fundação do primeiro noticiário europeu e só circulou por um curto período, pois logo após sua primeira edição foi fechado pelas autoridades coloniais.
Antes da independência dos EUA, outras tentativas de implantação do jornalismo impresso tiveram êxito, dentre elas o Boston News Letter, em 1704, o Boston Gazete em 1719 e o New England Journal. Os principais jornalistas da época, em 1721, foram justamente os maiores nomes das lutas por emancipação americana: Benjamin Franklin, John Adams, Thomas Jefferson e Alexander.
O Jornalismo moderno nasceu com as Revoluções Francesa e Industrial. A partir do advento cultural dos séculos XVIII e XIX, o interesse pelo jornalismo se multiplicou, o número de jornais crescia em todas as partes do mundo industrial ou pré-industrial.

A produção de jornais em grande escala, a partir da criação de impressoras a vapor e a utilização da publicidade para cobrir parte das despesas dos periódicos, permitiu que o preço do impresso caísse, possibilitando que um maior número de pessoas tivessem acesso aos jornais, mudando com isto a realidade e o perfil do público leitor.Em 1861 dá-se início à Guerra Civil dos Estados Unidos da América, é um marco para a imprensa, pelas inovações técnicas e novas condições de trabalho. Repórteres e fotógrafos recebem credenciais para cobrir o conflito. De lá, desenvolvem o lead para assegurar que a parte principal da notícia chegará à redação pelo telégrafo. Os jornais inventam as manchetes, títulos em letras grandes na primeira página, para destacar as novidades da guerra.

O primeiro jornal a enviar correspondentes para dois lados de uma guerra foi o The Guardian, de Manchester, na Guerra Franco-Prussiana, em 1871. O telégrafo foi inventado em 1844, por Samuel Morse e revolucionou a transmissão de informações, permitiu o envio de notícias a longas distâncias. Mas o telégrafo só ganharia um aumento exponencial da sua capacidade a partir da instalação dos cabos submarinos, na segunda metade do século XIX, que unem os continentes. A comunicação por telégrafo liga o Brasil à Europa a partir de 1874.

Também aparecem novidades nas técnicas de impressão. A primeira rotativa começa a funcionar em 1847, nos EUA. No ano seguinte, o Times de Londres cria rotativa que imprime 10 mil exemplares por hora. O linótipo foi inventado em 1889, por Otto Merganthaler, revolucionando as técnicas de composição de página com o uso de tipos de chumbo fundidos para gerar linhas inteiras de texto.
A fotografia começou a ser usada na imprensa diária em 1880. A Alemanha foi o primeiro país a produzir revistas ilustradas graficamente com fotografias. Em 1919, surge o New York Daily News, primeiro jornal em formato tablóide.
O jornalismo brasileiro começou em 1808, com a chegada da corte portuguesa ao Brasil. A imprensa brasileira nasceu oficialmente no Rio de Janeiro em 10 setembro de 1808, com a criação da Gazeta do Rio de Janeiro. Nesse ano, circulou pela primeira vez no país, de forma clandestina, o Correio Braziliense, editado em Londres pelo jornalista gaúcho Hipólito José da Costa.

Para combater seu conteúdo republicano, D. João VI criou a Imprensa Régia que passou então a editar o jornal Gazeta do Rio de Janeiro. Diversos jornais criados até a independência foram em defesa de Portugal e contra os ideais da emancipação, como os periódicos cariocas O Amigo do Rei e da Nação, O Bem da Ordem e O Conciliador do Reino.
Em 1821 surgem as primeiras publicações pró-independência como os baianos o Diário Constitucional e o A Malagueta, e o pernambucano Sentinela da Liberdade na Guarita de Pernambuco.
Com a autonomia política brasileira, em 1822, os jornais panfletários se propagaram em diversos estados: Farol Paulista e o Observador Constitucional de São Paulo, O Precursor das Eleições de Minais Gerais e O Olindense de Pernambuco. O século XIX foi marcado também pelo jornalismo literário, com a presença de escritores de grande expressão, dentre eles José de Alencar e Machado de Assis.

Evolução do Jornalismo Impresso

O jornalismo do século XX evoluiu a partir do aperfeiçoamento do seu estilo aliado ás diversas inovações tecnológicas, através delas inicia-se a produção de jornais em escala cada vez maior possibilitando o acesso às noticias do mundo inteiro em um curto espaço tempo, utilizando ferramenta tais como, telégrafo, telefone, rádio, comunicação via satélite e por fim Internet.
Surgem os grandes jornais, dentre eles o The New York Times,o Le Figaro e o The Sunday Times. No Brasil nascem os grandes diários: Folha de São Paulo, Jornal do Brasil, O Globo e Estado de São Paulo.
As revistas passam a figurar no cenário do jornalismo impresso, fazendo muito sucesso através de um discurso mais interpretativo. Também através das inovações tecnológicas elas se diversificaram e hoje abordam os mais distintos temas, tornando-se veículos segmentados e destinados a assuntos científicos, femininos, esportivos, cinematográficos dentre outros.
O final do século XX assistiu a uma revolução nas tecnologias de comunicação e informação, levando à formação de uma meios de comunicação como instituições de alcance global, tanto para o jornalismo quanto para o entretenimento.
Desde a segunda metade do século XX, várias empresas editoriais publicam jornais semanais que se assemelham a revistas, tratando de conteúdo generalista ou temático.
Muitas revistas, então, deixam de existir. A revista Life deixou de ser publicada em 1972. No Brasil, desaparecem O Cruzeiro e Realidade.
Em 1973, apareceram os primeiros terminais computadorizados para edição jornalística. A fotocomposição começava a substituir a linotipia. Começou a ser testado um sistema que possibilitava a diagramação eletrônica e o envio das páginas direto para a impressão, eliminando o processo de composição manual.
Em 1980, começam as transmissões da rede CNN, que em pouco mais de 10 anos tornar-se-ia a referência em jornalismo televisivo internacional. Ela ganha notoriedade mundial com a cobertura da Guerra do Golfo em 1991.
Os canais internacionais de TV por assinatura, TV a cabo e a Internet comercial só chegaram ao Brasil em 1992, 09 anos depois isso possibilita a transmissão ao vivo do maior atentado terrorista da História, o de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos da América.

Os jornais contemporâneos normalmente são impressos em um tipo específico de papel espesso e áspero - o papel-jornal - cortado em folhas de tamanhos padronizados.

Em jornais diários, as editorias podem ser organizadas em cadernos e suplementos, que são fascículos encadernados separadamente, incluídos no conjunto publicado.
A diferença entre ambos é que, enquanto cadernos são diários, encartados a cada edição do jornal, os suplementos têm periodicidade maior, muitas vezes semanal ou quinzenal.

O conteúdo editorial dos jornais costuma ser dividido em diferentes cadernos, apresentando um ou vários assuntos: Notícias nacionais, notícias internacionais, notícias locais e regionais, economia, esporte, ciência & tecnologia, cultura, turismo, informática, automobilismo, moda.

Os jornais diários, além da divisão em editorias e cadernos temáticos, apresentam outras seções de conteúdo jornalístico não-noticioso. Estão publicados nos cadernos ou páginas especiais.
Editorial, expediente, cartas dos leitores, obituário, coluna social, tempo e clima, horóscopo, efemérides e curiosidades, charge, quadrinhos ou banda desenhada, classificados, imóveis e empregos.

Uma empresa jornalística tradicional apresenta o seguinte organograma:
Proprietário, Diretor-Executivo ou Diretor Administrativo, Diretor Comercial, Diretor de Circulação, Diretor de Jornalismo ou Diretor de Redação. Se reportam ao Diretor de Redação os seguintes profissionais:
Editor-Chefe, Editores, Editor de Fotografia, Chefe de Reportagem, Repórteres, Redatores, Revisores, Diagramadores, Ilustradores, Fotógrafos, Correspondentes, Secretário de Redação.

Referências bibliográficas
ABREU, Alzira Alves de. A Modernização da Imprensa (1970-2000). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.
BALZAC, Honoré de. Os Jornalistas. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999.
DIZARD, Wilson P. A nova mídia: a comunicação de massa na era da informação. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1998
DARNTON, R. e ROCHE, D. (org.). Revolução Impressa – a imprensa na França 1775-1800. São Paulo: Edusp, 1996.
MATTELART, Armand. Comunicação-Mundo: história das técnicas e das estratégias. Petrópolis: Vozes, 1994.

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