quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Jornalismo Impresso - Dias de Hoje e Futuro.

Por: Paola Publio Dias

"O mundo nunca dispôs de ferramentas tão poderosas de comunicação e informação. Cabe-nos usá-las em sua plenitude, inteligentemente".(Siqueira in Peruzzo e Kunsch,1995: p.17,)
Diante do acelerado progresso tecnológico os profissionais da informação se deparam com uma interessante interrogação: seria o fim do jornalismo impresso, tal qual o conhecemos?

As sociedades pós-modernas passam por profundas transformações de ordem política, econômica e social e, principalmente tecnológica, notadamente após a chamada revolução da informática, a partir da década de 60.O processo acelerado de progresso tecnológico trabalha a favor da globalização das economias. A partir deste fato, as mudanças têm sido radicais, em diversas áreas, como a Medicina, Engenharia, Editoração e Publicidade, Educação, Comunicações, no Conhecimento e Entretenimento e refletem também mudanças de ordem sociocultural. Provavelmente, os principais fatores dessas mudanças são: a rapidez de pesquisa e o volume crescente de dados.Diante disso, os profissionais da informação se deparam com um interessante e preocupante paradoxo: seria o fim do jornalismo impresso, tal qual o conhecemos?
De um lado, temos o barateamento no preço de hardwares e softwares, uso maior de videoconferências e da inteligência artificial e de outro lado, o suporte em papel, ainda é o meio mais usado para registrar e, portanto, armazenar e comunicar informações. Talvez a solução para este impasse resida na revisão da própria carreira dos profissionais da informação, que deverão ser vistos como profissionais da multimídia, ao se valerem cada vez mais das tecnologias da informação. Mesmo atualmente, quando o assunto é o mundo cibernético (2), muitos mitos, dúvidas e desafios ainda permanecem obscuros, principalmente pela rapidez com que as novas técnicas se multiplicam e se renovam. O primeiro desses mitos é achar que o leitor deixa de consumir o conteúdo impresso se tiver a informação disponível on-line. Cada veículo tem suas particularidades e cada ferramenta tem uma função. Ao navegar na rede, um internauta é um "caçador de informações". Tudo o que o consumidor procurar, encontrará na rede, na quantidade e com a profundidade que ele quiser, dependendo do quanto quer se dedicar à busca. Mas ele é quem tem de ir pesquisar. E aqui esbarramos, mais uma vez, na questão tempo, na familiaridade com a mídia e na relação conteúdo versus qualidade das informações.

As novas tecnologias da informação funcionam como instrumento de transformações política e econômica no mundo. A crescente importância da informação, do conhecimento e da comunicação e das tecnologias a ela relacionadas passam a afetar sobremaneira a vida do cidadão, da empresa ou do Estado.

Como ressalta Lévy, as tecnologias não determinam, mas condicionam as mudanças à medida que criam as condições para que elas ocorram e aborda o movimento social que deu origem ao ciberespaço (a infra-estrutura técnica do espaço virtual) e as grandes tendências de evolução técnicas no que se refere a interfaces e a tratamento, memória e transmissão da informação bem como as interações decorrentes desse processo e as implicações do ciberespaço como o principal canal de comunicação e suporte de memória da humanidade (Lévy: 1999: p.93.). Hoje é impossível pensar a vida sem as redes interativas. O progresso técnico tem sido considerável no campo da comunicação, com o telefone, o rádio, a televisão, o computador e as redes de computadores.

As novas tecnologias e as mudanças organizacionais
Já é conhecido que as organizações passam por transformações crescentes ligadas aos avanços na área científica e tecnológica. Essas transformações levam a modificações não apenas de equipamentos, mas também nos processos de trabalho e na gestão de pessoas. As novas tecnologias exigem novos conhecimentos, tanto para execução de operações como na gestão de pessoas, e isso representa a necessidade de uma redefinição organizacional que priorize, além da técnica, as pessoas envolvidas no processo. Essa redefinição organizacional exige uma redefinição dos perfis humanos necessários para o desempenho nas novas funções. Mudanças nos processos de trabalho exigem, portanto, uma conexão estratégica entre pessoas e tecnologias.
Parece óbvio que a introdução de sistemas eletrônicos nas salas de redação afetou o trabalho do jornalista. No entanto, a introdução das técnicas na produção do jornal – ou seja, a reorganização da recepção e o processamento de textos (sistemas de produção) – deixaram inicialmente quase intacta a atividade jornalística. O trabalho jornalístico só se viu significativamente afetado com a introdução dos "sistemas da sala de redação".

O setor fotográfico dos jornais, com a digitalização, evoluiu enormemente. A imagem captada não precisa mais ser reproduzida em suportes intermediários, como papéis fotográficos ou filme. Sua utilização é direta, e ser for preciso, enviada em tempo real.Sobretudo os sistemas de impressão, se automatizaram de tal maneira que quase não precisam mais da intervenção humana

A explosão tecnológica criou uma nova tendência: a constante preocupação dos grandes jornais com a dinâmica da informação, impulsionando também os pequenos impressos do interior do País a se desenvolverem.
A tecnologia no campo da mídia, como destacado anteriormente, atua com impacto em três campos estratégicas: técnico, político e econômico. Tecnicamente, todas as mídias estão se adaptando às novas perspectivas abertas pela digitalização dos seus produtos tradicionais. Na política, percebe-se uma movimentação (e necessidade) de discussão de novas leis e regulamentação para o uso e funcionamento das novas tecnologias, sobretudo satélites e redes. Economicamente, podem-se destacar duas tendências: o conglomerado de mídia e, do lado oposto, o aparecimento de novas empresas de pequeno porte, que estão desafiando os conglomerados por meio da criatividade, da produção inovadora e agilidade comercial.

A despeito de previsões apocalípticas destrutivas, os setores editoriais tradicionais – jornais revistas e livros – estão adaptando seus estilos operacionais às realidades do computador, e enfrentando a concorrência de um número cada vez maior de provedores eletrônicos de informação.As mudanças, de acordo com Dizard (2002: p. 220) não assinalam, contudo, o fim da imprensa. A memória (e o invento) de Gutenberg continua vivo a cada publicações de jornais, em revistas semanais e nos milhares de títulos comercializados e publicados em todo o mundo. Para ilustrar, nos Estados unidos, os setores de impressão e publicação permanecem imensamente lucrativos.A idéia de que os computadores e outros aparelhos eletrônicos iriam transformar a sociedade num mundo "sem papel" não se faz verdadeira, pelo menos ainda pelos próximos anos. O pesquisador Paul Saffo (apud in Dizard, 2000: p.231), prevê uma sinergia entre a informação impressa tradicional e as versões eletrônicas:
O papel não vai desaparecer, mas a mídia sem papel absorverá mais do nosso tempo. Eventualmente, nos tornaremos sem papel, assim como outrora nos tornarmos sem cavalo. Os cavalos ainda estão por aí, mas os que os utilizam fazem-nos como hobby, não para viajar....Agora é mais fácil armazenar informações eletronicamente. O papel se transformou numa interface – num veículo transitório e descartável para se ler a informação compilada eletronicamente. Estamos ingressando no futuro em que a informação é transferida para o papel somente quando estamos prontos para lê-la; em seguida, o papel é imediatamente reciclado (SAFFO:1992, p.13 apud DIZARD:2000, p.221)
Sobre o Número de jornais no BrasilO número de jornais em circulação no Brasil tem mostrado evolução positiva. No conjunto, circulam hoje no país 529 jornais diários, o que o posiciona em segundo lugar no ranking da Associação Mundial de Jornais (WAN). Há, ainda, no Brasil, 2.464 jornais não diários, perfazendo um total de 2.993 jornais. Acompanha os dados na tabela:

Fonte: Associação Nacional de Jornais (ANJ), Associação Brasileira de Representantes de Veículos de Comunicação (Abre),Jove/Mídia Dados/Adjori-SC e Adjori-RS.

Sem dúvida, um grande mérito do jornalismo regional é o de sobreviver como empresa, o que faz com que possua um caráter efêmero, condicionado não só pelo aspecto econômico, mas também técnico e político. O equilíbrio de uma empresa no interior dependente do aperfeiçoamento dos procedimentos editoriais, comerciais e distribuição da promoção do seu produto. Para isso, é necessário fazer pesquisas de mercado e perfil do leitor.

Após a amostragem dos dados da ANJ e dados sobre a imprensa paulista, podemos retomar o pensamento de Dizard (2000: p.238) sobre o futuro do jornal impresso. Hoje, a concorrência do jornal on-line é evidente e a queda no número de leitores comprova que o setor apresenta uma letargia crescente. No entanto, Dizard acredita que seja através da mídia impressa tradicional que a indústria jornalística será uma força importante nos ambientes da nova mídia:
Os jornais trazem uma experiência única e recursos fortes à produção e distribuição da informação para consumidores comercias e domésticos. A indústria pode se beneficiar enormemente se explorar essa vantagem e se tornar personagem central das novas formas de jornalismo eletrônico na próxima década. (DIZARD, 2000: p. 239)
Os jornais estão cada vez mais modelando-se às novas tecnologias principalmente ao Jornalismo digital,as empresas de comunicação estão começando a entender que a internet pode ser um complemento muito importante às mídias convencionais. Pois na internet não há limite de espaço, como acontece na versão impressa.A imprensa brasileira passou por dificuldades nos anos 90. Muitas pessoas deixaram de assinar jornais e apenas lêem o que lhes interessa pela internet, já em outros casos, os internautas lêem o que lhes interessa e compram o jornal para saber mais detalhes sobre o assunto.
Na verdade, os proprietários de jornais tinham muito medo de que a internet fosse acabar com as versões impressas, mas hoje observa-se que ambas interagem.
Os jornais impressos não irão acabar com o surgimento das versões online e sim terão estes como aliados no imediatismo que os meios de comunicação exigem no mundo globalizado. Além disso os jornais online servem como incentivo a leitura, como lembra Carlos Bastos editor de jornalismo da TVE:“Quando a TV surgiu, disseram que ela acabaria com o rádio e ele está mais vivo do que nunca. O mesmo acontece com a internet em relação ao jornal impresso. E tem a vantagem que faz com que essa geração tenha mais hábitos de leitura.”

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