segunda-feira, 29 de outubro de 2007

futuro do jornalismo

O futuro do jornalismo impresso

postado por Carlos Eduardo]

"Sob o título Deu no jornal: jornalismo impresso na era da internet – a Editora da PUC-Rio acaba de publicar um trabalho sobre o jornalismo impresso e a revolução que o computador provocou, e vai continuar provocando, na produção da informação. Trata-se de uma coletânea de textos em que 10 expoentes da imprensa brasileira apontam suas reflexões sobre o tema.
O trabalho, coordenado pelo jornalista Álvaro Caldas, discute a questão de como o jornal do futuro chegará aos leitores neste cenário de grandes transformações e de predomínio da mídia eletrônica. E propõe algumas diretivas para a preservação dos valores permanentes do jornalismo impresso: originalidade, texto interpretativo e analítico, situando o fato dentro de um contexto mais amplo, com pesquisa e opinião.
O autor abre sua reflexão com uma sessão nostalgia. Relembra o ambiente ‘romântico’ das antigas redações pré-informática, com sua atmosfera superpoluída pela fumaça de cigarro, papel sujo no chão, etc. Cada fechamento era uma comemoração. Isto não existe mais. Acabou-se para sempre. Os jornalistas Israel Tabak e Ernesto Rodrigues analisam, nas páginas seguintes, algumas das conseqüências imediatas desta ‘revolução’ sobre o comportamento da reportagem e da própria estrutura da redação. O advento do computador acabou eliminando sumariamente um número considerável de empregos nas empresas jornalísticas.
Nas redações à moda antiga havia uma espécie de liturgia em que a diagramação desempenhava um papel, além de vistoso, absolutamente essencial. Coisa do passado. Aos poucos, um único diagramador passou a servir a vários editores. Numa segunda etapa, o próprio editor foi se tornando diagramador e tudo indica que se exija do repórter que ele seja também seu próprio revisor e que passe a editar suas próprias matérias. É evidente que os leitores mais atentos observam os resultados, nem sempre apreciáveis, de todas alterações: falhas irritantes de digitação, erros abomináveis de português – erros, mesmo, de concordância, de gramática, de regência etc. Mas é preciso repetir: não adiantam lamentos. Tudo isto é absolutamente irreversível.
Ana Arruda Callado apresenta um excelente resumo do que existe de melhor e de mais atual sobre ‘O texto em veículos impressos’. O trabalho de Ernesto Rodrigues, intitulado ‘Em cada editoria um desafio diferente’, mostra o comportamento dos profissionais nas diferentes editorias. É um capítulo que pode despertar curiosidade, mesmo entre aqueles que não são do ramo, porque apresenta alguns aspectos da chamada ‘cozinha’ do jornal, pouco conhecidos do grande público. O trabalho de Arthur Dapieve sobre ‘Jornalismo Cultural’ representa uma incursão realmente instrutiva na bela história do Caderno B do Jornal do Brasil – história que mais tarde iria se repetir em todos os grandes jornais do país. A partir de uma determinada altura, todos os jornais teriam o seu B, que, na maioria das vezes, assumia ares de pequeno semanário.
Cláudio Henrique faz um nostálgico passeio pelos primórdios da Time, e de O Cruzeiro e Manchete, entre outros títulos. O jornalista faz uma análise minuciosa daquilo que constitui a característica das publicações semanais e de suas exigências específicas. Ivan Yazbeck mostra como a introdução da cor provocou uma série de profundas alterações gráficas no jornalismo brasileiro e conduz sua análise até a adoção das técnicas infográficas.
O livro contém ainda um estudo de Clarice Abdalla, professora de radiojornalismo na PUC-Rio, sobre a atividade do jornalista como assessor de imprensa. Como não podia deixar de ser, o livro aborda, ainda, a questão dos ‘Desafios da Ética’ – estudo confiado a Miguel Pereira e Fernando Ferreira.
Mas é no estudo O lide do próximo milênio, do jornalista Fernando Villela, que o livro trata especificamente do ‘Jornalismo na era da internet’. O trabalho vai fundo. Ele lembra que a definição clássica, repetida por ai quase automaticamente, é a de que a Internet é uma rede mundial de computadores. Trata-se, segundo ele, de uma definição própria de engenheiros para engenheiros, incompleta e castradora.
Depois de constatar que a Internet é, de fato, ‘uma grande experiência viva de inteligência coletiva’, o jornalista encerra sua reflexão sugerindo a presença de um homem digital nesse universo em que a informação terá assumido um máximo de densidade em um máximo de velocidade.
Site do observatório da imprensa.
Por: Irineu Guimarães, Jornal do Brasil, caderno Idéias, 25/1/03

O fim do jornal impresso?

Postado por Thalita Tavares

O crescimento geométrico do número de publicações digitais na Web, acompanhado do desenvolvimento ultra-rápido da Internet e sua conseqüente popularização em larga escala, tem despertado uma polêmica interessante entre jornalistas e especialistas em novas tecnologias: o jornal em papel vai acabar? As opiniões são divergentes. Alguns acreditam que os jornais convencionais não sobreviverão ao próximo século. Tudo será digitalizado e até a televisão, como nós a conhecemos, deixará de existir. Outros afirmam que a Internet não representa uma ameaça às publicações impressas e que nenhuma tecnologia, por mais avançada que seja, vai superar a comodidade e o conforto que um jornal ou revista em papel proporciona aos leitores.
De fato, muitas são as vantagens das publicações eletrônicas na Web. Os jornais digitais são mais interativos que os seus correspondentes impressos. Os custos de produção e distribuição, geralmente muito elevados nas publicações tradicionais, são reduzidos sensivelmente na Internet. Os artigos e reportagens podem ser complementados com informações adicionais que não teriam espaço nas edições em papel. As notícias podem ser atualizadas várias vezes durante o dia e acessadas instantaneamente por leitores em qualquer lugar do mundo. Além de todas estas vantagens, há também a possibilidade de se implantar serviços especiais, como consulta a bancos de dados com arquivos das edições passadas, classificados online, programas de busca, fóruns de discussão abertos ao público, canais de bate-papo em tempo real e muitos outros.
Embora as publicações online apresentem uma grande quantidade de atrativos e vantagens que as mídias tradicionais não dispõem, muitos jornalistas e especialistas em comunicação acreditam que o jornal em papel terá o seu lugar na era digital.
"Tradicionalmente, pela extensão de sua cobertura, os jornais sempre informaram mais do que a televisão. Trata-se de radicalizar esta postura", reforça. Khammel afirma ainda que grupos editoriais em todo o mundo estão aplicando grandes quantias de dinheiro na modernização do parque gráfico de seus jornais e isto representa uma clara evidência de que os empresários do setor continuarão a investir em seus produtos impressos.
De fato, nada se compara à praticidade e o conforto proporcionados pelas publicações impressas. Para ler um jornal ou revista através do computador, é preciso fazer um certo esforço, já que geralmente os leitores estão sentados desconfortavelmente e os atuais monitores ainda não são idealmente adequados ao sistema óptico humano. Além disso, a depender do design de navegação do site, do tráfego de dados nas infovias e da velocidade de conexão, ler uma publicação digital na Internet pode tomar bastante tempo do usuário.
Ao que tudo indica, os jornais impressos não vão desaparecer, pelo menos a médio prazo, principalmente porque eles ainda são os grandes responsáveis pela maioria esmagadora dos lucros (que não são poucos!) das companhias jornalísticas. Além disso, os jornais tradicionais podem conviver sem nenhum problema com as suas versões digitais, através de uma relação de parceria onde um pode auxiliar o outro.
Os jornais e revistas digitais de fato não representam uma ameaça às publicações tradicionais. Pelo contrário, eles podem ser usados pelas empresas jornalísticas como excelentes ferramentas de marketing para promover seus produtos impressos e, ao mesmo tempo, tornarem-se, a médio prazo, um investimento bastante lucrativo.
Não existem, até agora, modelos definidos nem fórmulas prontas que garantam o sucesso de um empreendimento na mídia online. Há ainda muita coisa a ser explorada na Internet do ponto de vista jornalístico, mas o setor já deu passos importantes nos últimos cinco anos e algumas experiências parecem estar se consolidando como possibilidades viáveis. A criatividade e a originalidade, no entanto, continuam sendo peças chaves no desenvolvimento de novas estratégias para se ganhar dinheiro na rede. As empresas que souberem utilizar estes dois elementos, aliados à oferta de serviços úteis e de qualidade serão aquelas que estarão comemorando a decisão de terem investido na Internet.
Retirado do site: www.facom.ufba.br