quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Jornalismo Impresso - Dias de Hoje e Futuro.

Por: Paola Publio Dias

"O mundo nunca dispôs de ferramentas tão poderosas de comunicação e informação. Cabe-nos usá-las em sua plenitude, inteligentemente".(Siqueira in Peruzzo e Kunsch,1995: p.17,)
Diante do acelerado progresso tecnológico os profissionais da informação se deparam com uma interessante interrogação: seria o fim do jornalismo impresso, tal qual o conhecemos?

As sociedades pós-modernas passam por profundas transformações de ordem política, econômica e social e, principalmente tecnológica, notadamente após a chamada revolução da informática, a partir da década de 60.O processo acelerado de progresso tecnológico trabalha a favor da globalização das economias. A partir deste fato, as mudanças têm sido radicais, em diversas áreas, como a Medicina, Engenharia, Editoração e Publicidade, Educação, Comunicações, no Conhecimento e Entretenimento e refletem também mudanças de ordem sociocultural. Provavelmente, os principais fatores dessas mudanças são: a rapidez de pesquisa e o volume crescente de dados.Diante disso, os profissionais da informação se deparam com um interessante e preocupante paradoxo: seria o fim do jornalismo impresso, tal qual o conhecemos?
De um lado, temos o barateamento no preço de hardwares e softwares, uso maior de videoconferências e da inteligência artificial e de outro lado, o suporte em papel, ainda é o meio mais usado para registrar e, portanto, armazenar e comunicar informações. Talvez a solução para este impasse resida na revisão da própria carreira dos profissionais da informação, que deverão ser vistos como profissionais da multimídia, ao se valerem cada vez mais das tecnologias da informação. Mesmo atualmente, quando o assunto é o mundo cibernético (2), muitos mitos, dúvidas e desafios ainda permanecem obscuros, principalmente pela rapidez com que as novas técnicas se multiplicam e se renovam. O primeiro desses mitos é achar que o leitor deixa de consumir o conteúdo impresso se tiver a informação disponível on-line. Cada veículo tem suas particularidades e cada ferramenta tem uma função. Ao navegar na rede, um internauta é um "caçador de informações". Tudo o que o consumidor procurar, encontrará na rede, na quantidade e com a profundidade que ele quiser, dependendo do quanto quer se dedicar à busca. Mas ele é quem tem de ir pesquisar. E aqui esbarramos, mais uma vez, na questão tempo, na familiaridade com a mídia e na relação conteúdo versus qualidade das informações.

As novas tecnologias da informação funcionam como instrumento de transformações política e econômica no mundo. A crescente importância da informação, do conhecimento e da comunicação e das tecnologias a ela relacionadas passam a afetar sobremaneira a vida do cidadão, da empresa ou do Estado.

Como ressalta Lévy, as tecnologias não determinam, mas condicionam as mudanças à medida que criam as condições para que elas ocorram e aborda o movimento social que deu origem ao ciberespaço (a infra-estrutura técnica do espaço virtual) e as grandes tendências de evolução técnicas no que se refere a interfaces e a tratamento, memória e transmissão da informação bem como as interações decorrentes desse processo e as implicações do ciberespaço como o principal canal de comunicação e suporte de memória da humanidade (Lévy: 1999: p.93.). Hoje é impossível pensar a vida sem as redes interativas. O progresso técnico tem sido considerável no campo da comunicação, com o telefone, o rádio, a televisão, o computador e as redes de computadores.

As novas tecnologias e as mudanças organizacionais
Já é conhecido que as organizações passam por transformações crescentes ligadas aos avanços na área científica e tecnológica. Essas transformações levam a modificações não apenas de equipamentos, mas também nos processos de trabalho e na gestão de pessoas. As novas tecnologias exigem novos conhecimentos, tanto para execução de operações como na gestão de pessoas, e isso representa a necessidade de uma redefinição organizacional que priorize, além da técnica, as pessoas envolvidas no processo. Essa redefinição organizacional exige uma redefinição dos perfis humanos necessários para o desempenho nas novas funções. Mudanças nos processos de trabalho exigem, portanto, uma conexão estratégica entre pessoas e tecnologias.
Parece óbvio que a introdução de sistemas eletrônicos nas salas de redação afetou o trabalho do jornalista. No entanto, a introdução das técnicas na produção do jornal – ou seja, a reorganização da recepção e o processamento de textos (sistemas de produção) – deixaram inicialmente quase intacta a atividade jornalística. O trabalho jornalístico só se viu significativamente afetado com a introdução dos "sistemas da sala de redação".

O setor fotográfico dos jornais, com a digitalização, evoluiu enormemente. A imagem captada não precisa mais ser reproduzida em suportes intermediários, como papéis fotográficos ou filme. Sua utilização é direta, e ser for preciso, enviada em tempo real.Sobretudo os sistemas de impressão, se automatizaram de tal maneira que quase não precisam mais da intervenção humana

A explosão tecnológica criou uma nova tendência: a constante preocupação dos grandes jornais com a dinâmica da informação, impulsionando também os pequenos impressos do interior do País a se desenvolverem.
A tecnologia no campo da mídia, como destacado anteriormente, atua com impacto em três campos estratégicas: técnico, político e econômico. Tecnicamente, todas as mídias estão se adaptando às novas perspectivas abertas pela digitalização dos seus produtos tradicionais. Na política, percebe-se uma movimentação (e necessidade) de discussão de novas leis e regulamentação para o uso e funcionamento das novas tecnologias, sobretudo satélites e redes. Economicamente, podem-se destacar duas tendências: o conglomerado de mídia e, do lado oposto, o aparecimento de novas empresas de pequeno porte, que estão desafiando os conglomerados por meio da criatividade, da produção inovadora e agilidade comercial.

A despeito de previsões apocalípticas destrutivas, os setores editoriais tradicionais – jornais revistas e livros – estão adaptando seus estilos operacionais às realidades do computador, e enfrentando a concorrência de um número cada vez maior de provedores eletrônicos de informação.As mudanças, de acordo com Dizard (2002: p. 220) não assinalam, contudo, o fim da imprensa. A memória (e o invento) de Gutenberg continua vivo a cada publicações de jornais, em revistas semanais e nos milhares de títulos comercializados e publicados em todo o mundo. Para ilustrar, nos Estados unidos, os setores de impressão e publicação permanecem imensamente lucrativos.A idéia de que os computadores e outros aparelhos eletrônicos iriam transformar a sociedade num mundo "sem papel" não se faz verdadeira, pelo menos ainda pelos próximos anos. O pesquisador Paul Saffo (apud in Dizard, 2000: p.231), prevê uma sinergia entre a informação impressa tradicional e as versões eletrônicas:
O papel não vai desaparecer, mas a mídia sem papel absorverá mais do nosso tempo. Eventualmente, nos tornaremos sem papel, assim como outrora nos tornarmos sem cavalo. Os cavalos ainda estão por aí, mas os que os utilizam fazem-nos como hobby, não para viajar....Agora é mais fácil armazenar informações eletronicamente. O papel se transformou numa interface – num veículo transitório e descartável para se ler a informação compilada eletronicamente. Estamos ingressando no futuro em que a informação é transferida para o papel somente quando estamos prontos para lê-la; em seguida, o papel é imediatamente reciclado (SAFFO:1992, p.13 apud DIZARD:2000, p.221)
Sobre o Número de jornais no BrasilO número de jornais em circulação no Brasil tem mostrado evolução positiva. No conjunto, circulam hoje no país 529 jornais diários, o que o posiciona em segundo lugar no ranking da Associação Mundial de Jornais (WAN). Há, ainda, no Brasil, 2.464 jornais não diários, perfazendo um total de 2.993 jornais. Acompanha os dados na tabela:

Fonte: Associação Nacional de Jornais (ANJ), Associação Brasileira de Representantes de Veículos de Comunicação (Abre),Jove/Mídia Dados/Adjori-SC e Adjori-RS.

Sem dúvida, um grande mérito do jornalismo regional é o de sobreviver como empresa, o que faz com que possua um caráter efêmero, condicionado não só pelo aspecto econômico, mas também técnico e político. O equilíbrio de uma empresa no interior dependente do aperfeiçoamento dos procedimentos editoriais, comerciais e distribuição da promoção do seu produto. Para isso, é necessário fazer pesquisas de mercado e perfil do leitor.

Após a amostragem dos dados da ANJ e dados sobre a imprensa paulista, podemos retomar o pensamento de Dizard (2000: p.238) sobre o futuro do jornal impresso. Hoje, a concorrência do jornal on-line é evidente e a queda no número de leitores comprova que o setor apresenta uma letargia crescente. No entanto, Dizard acredita que seja através da mídia impressa tradicional que a indústria jornalística será uma força importante nos ambientes da nova mídia:
Os jornais trazem uma experiência única e recursos fortes à produção e distribuição da informação para consumidores comercias e domésticos. A indústria pode se beneficiar enormemente se explorar essa vantagem e se tornar personagem central das novas formas de jornalismo eletrônico na próxima década. (DIZARD, 2000: p. 239)
Os jornais estão cada vez mais modelando-se às novas tecnologias principalmente ao Jornalismo digital,as empresas de comunicação estão começando a entender que a internet pode ser um complemento muito importante às mídias convencionais. Pois na internet não há limite de espaço, como acontece na versão impressa.A imprensa brasileira passou por dificuldades nos anos 90. Muitas pessoas deixaram de assinar jornais e apenas lêem o que lhes interessa pela internet, já em outros casos, os internautas lêem o que lhes interessa e compram o jornal para saber mais detalhes sobre o assunto.
Na verdade, os proprietários de jornais tinham muito medo de que a internet fosse acabar com as versões impressas, mas hoje observa-se que ambas interagem.
Os jornais impressos não irão acabar com o surgimento das versões online e sim terão estes como aliados no imediatismo que os meios de comunicação exigem no mundo globalizado. Além disso os jornais online servem como incentivo a leitura, como lembra Carlos Bastos editor de jornalismo da TVE:“Quando a TV surgiu, disseram que ela acabaria com o rádio e ele está mais vivo do que nunca. O mesmo acontece com a internet em relação ao jornal impresso. E tem a vantagem que faz com que essa geração tenha mais hábitos de leitura.”

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Jornal Impresso e Educação

Postado por Thalita Tavares
Os meios de comunicação fazem parte de nossas vidas. A escola também está presente na formação e conhecimento em nossas vidas.
História comum se pensarmos em leitura e escrita e seus objetivos: informar e formar pessoas críticas e atuantes na comunidade. Nesta perspectiva, dois elementos fundamentais: o professor e o jornalista.
Todas as manhãs, ambos se encaminham para um árduo trabalho no sentido de promover emoções, suscitar paixões, reflexões, questionamentos e saciar a curiosidade. No entanto, se o jornalista ou o professor não estiverem devidamente comprometidos e competentes para a sua jornada diária, seu trabalho não produzirá o resultado esperado.
Jornais e escolas têm se empenhado sempre pela leitura, mas quando o jornal impresso é introduzido na sala de aula, se busca incitar o gosto pela leitura, o ler mais e, sobretudo, entender o que se lê. Pesquisas comprovam que o jornal na sala de aula atende à curiosidade da criança e do jovem pelos fatos do cotidiano, porque faz parte de sua vivência e também porque a leitura de notícias pode levar o aluno a se interessar por mais dados a respeito deste ou daquele assunto, abraçando a pesquisa.
Utilizar os meios de comunicação, entre eles o jornal impresso, como objeto de estudo, significa nos acercarmos e incorporarmos um conjunto de abordagens sociológicas, lingüisticas e tecnológicas, além de questionarmos os fatos e lermos nas entrelinhas das notícias, vendo mais do que simples imagens ou fatos.
Hoje temos alunos fortemente influenciados pela WEB, máquinas digitais e principalmente celulares que ampliaram o âmbito da informação a limites nunca imaginados em nossa história, causando forte impacto em nossa formação profissional de século XIX. Muitos de nós, professores, ainda não consegue entender a Internet e daí a sua dificuldade em dimensionar que a WEB exige leitores mais competentes, capazes de tomar decisões rápidas frente à enorme quantidade de opções e manter o seu rumo para não se perder no espaço virtual.
A Imprensa de modo geral, passou a prestar mais atenção ao mundo jovem, explorando novos espaços em seus cadernos de cidades, buscando conhecer seus códigos e a interagir com eles, uma vez que vivemos numa sociedade em que a juventude é idolatrada e com alto poder de decisão.
O jornalismo tem se esmerado em estabelecer também novas formas de interação com seus leitores (ex. Seção de leitores, pautando matérias para o jornal).
Os meios de comunicação, em especial o jornal impresso, têm enfrentado constante pressão para produção de novas idéias e enfoques que lhes permitam manter sua audiência e leitura como utilidade aos "leitores", em meio à abundância de informações e emergência de novas tecnologias.
Trabalhamos, enquanto coordenadores de tais programas, para que os jovens e crianças vejam o jornal diário como um meio que reflete de forma relevante os interesses e vidas das pessoas, muitos dos quais conhecemos. Participando de suas pautas, (idéias, sugestões para matérias), o aluno busca a sua inserção na comunidade de forma direta, produzindo notícias próprias e atraentes. Também são chamados ao questionamento e reflexão com relação a muitas manipulações políticas e sociais presentes nos meios de comunicação.
Os jovens utilizam a informação de multimeios e muitas vezes ao mesmo tempo. Cada vez mais considerarão a Internet como um meio sem o qual não conceberão viver. É ferramenta para comprar, pesquisar e comunicar-se. Isto torna a Imprensa, de modo geral, exposta à necessidade constante de grandes transformações e evolução. Tem que se reexaminar a cada curto espaço de tempo para poder atrair e se relevante à audiência e leitores jovens.
Sabemos que a vida é feita de luzes e sombra. O mal sempre nos espreita, mas a boa notícia o bom ensino também existe. Não devemos nunca creditar a perda de leitores à suposta midiação para os meios audiovisuais.
Devemos é questionar a qualidade do que estamos fazendo. Um bom produto é imbatível. Experiências significativas de aprendizagem surgem a partir das possibilidades humanas e tornam o ensino imbatível.
Acreditamos que só a Revolução nos conteúdos e nos recursos humanos garantirá o crescimento sustentado e a liderança na Imprensa e na Educação.

Cecília de Godoy Camargo Pavani
Coordenadora do Depto. Educação
Rede Anhangüera de Comunicação - RAC

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Jornalismo Impresso - Origem e Evolução

Postado por Rita Andrade

JORNALISMO IMPRESSO

ORIGEM E EVOLUÇÃO
As pessoas se interessam pela notícia desde os primórdios da civilização, na Antiguidade as informações eram difundidas em todas as partes do mundo antigo. As primeiras reproduções da escrita foram obtidas sob um suporte de cera ou de argila com os selos cilíndricos e cunhas e foram encontrados nas cidades da Suméria e da Mesopotâmia do século XXVIII a.C.

O primeiro jornal em papel foi publicado como um panfleto manuscrito a partir de 713 d.C., em Pequim, na China. O primeiro jornal regular foi a Acta Diurna, que era afixada no Fórum Romano e nos espaços públicos, com informações sobre jogos, notícias militares, cerimônias religiosas, dentre outras. Este tipo de boletim-mural também esteve presente em outras civilizações antigas como no Egito, na Babilônia e na Grécia.

Em 1440, Gutenberg desenvolve a tecnologia da prensa móvel, utilizando os tipos móveis: caracteres avulsos gravados em blocos de madeira ou chumbo, que eram re arrumados numa tábua para formar palavras e frases do texto, revolucionando a comunicação ao possibilitar a produção de livros, jornais, boletins e demais documentos em grande escala. O primeiro livro imprenso por ele foi a Bíblia.

Na Baixa Idade Média, as folhas escritas com notícias comerciais e econômicas eram muito comuns, em Veneza, as folhas eram vendidas pelo preço de uma gazeta, moeda local, de onde surgiu o nome de muitos jornais publicados na Idade Moderna, e na Idade Contemporânea.
Entre 1452 e 1470, a imprensa conquistou nove cidades germânicas e várias localidades italianas, bem como Paris e Sevilha. Dez anos depois, registrava-se a existência de oficinas de impressão em 108 cidades; em 1500, o seu número era de 226.

Durante o século XVI Veneza continuou a ser a capital da imprensa, seguida por Paris, Leon, Frankfurt e Antuérpia. A Europa tipográfica começava a deslocar-se de Itália para os países do Norte da Europa, onde funcionava como elemento difusor do humanismo e da Reforma oriunda das cidades italianas.

Surgem então os primeiros jornais, o semanário, Nieuwe Tydingen em 1605, na Antuerpia. Em toda a Europa outros jornais surgiam como o Frankfurter Journal em 1615, Gazette van Antwerpen, em 1619, Weekly News, em 1622 e Gazette de France em 1631, sendo a França e a Alemanha os países onde o jornalismo se desenvolveu mais rapidamente.

O primeiro jornal em português foi fundado em 1641, em Portugal: era A Gazeta, de Lisboa. Já nas Américas o primeiro jornal dos Estados Unidos, The Public Ocurrences, foi fundado em 1690, 85 anos depois da fundação do primeiro noticiário europeu e só circulou por um curto período, pois logo após sua primeira edição foi fechado pelas autoridades coloniais.
Antes da independência dos EUA, outras tentativas de implantação do jornalismo impresso tiveram êxito, dentre elas o Boston News Letter, em 1704, o Boston Gazete em 1719 e o New England Journal. Os principais jornalistas da época, em 1721, foram justamente os maiores nomes das lutas por emancipação americana: Benjamin Franklin, John Adams, Thomas Jefferson e Alexander.
O Jornalismo moderno nasceu com as Revoluções Francesa e Industrial. A partir do advento cultural dos séculos XVIII e XIX, o interesse pelo jornalismo se multiplicou, o número de jornais crescia em todas as partes do mundo industrial ou pré-industrial.

A produção de jornais em grande escala, a partir da criação de impressoras a vapor e a utilização da publicidade para cobrir parte das despesas dos periódicos, permitiu que o preço do impresso caísse, possibilitando que um maior número de pessoas tivessem acesso aos jornais, mudando com isto a realidade e o perfil do público leitor.Em 1861 dá-se início à Guerra Civil dos Estados Unidos da América, é um marco para a imprensa, pelas inovações técnicas e novas condições de trabalho. Repórteres e fotógrafos recebem credenciais para cobrir o conflito. De lá, desenvolvem o lead para assegurar que a parte principal da notícia chegará à redação pelo telégrafo. Os jornais inventam as manchetes, títulos em letras grandes na primeira página, para destacar as novidades da guerra.

O primeiro jornal a enviar correspondentes para dois lados de uma guerra foi o The Guardian, de Manchester, na Guerra Franco-Prussiana, em 1871. O telégrafo foi inventado em 1844, por Samuel Morse e revolucionou a transmissão de informações, permitiu o envio de notícias a longas distâncias. Mas o telégrafo só ganharia um aumento exponencial da sua capacidade a partir da instalação dos cabos submarinos, na segunda metade do século XIX, que unem os continentes. A comunicação por telégrafo liga o Brasil à Europa a partir de 1874.

Também aparecem novidades nas técnicas de impressão. A primeira rotativa começa a funcionar em 1847, nos EUA. No ano seguinte, o Times de Londres cria rotativa que imprime 10 mil exemplares por hora. O linótipo foi inventado em 1889, por Otto Merganthaler, revolucionando as técnicas de composição de página com o uso de tipos de chumbo fundidos para gerar linhas inteiras de texto.
A fotografia começou a ser usada na imprensa diária em 1880. A Alemanha foi o primeiro país a produzir revistas ilustradas graficamente com fotografias. Em 1919, surge o New York Daily News, primeiro jornal em formato tablóide.
O jornalismo brasileiro começou em 1808, com a chegada da corte portuguesa ao Brasil. A imprensa brasileira nasceu oficialmente no Rio de Janeiro em 10 setembro de 1808, com a criação da Gazeta do Rio de Janeiro. Nesse ano, circulou pela primeira vez no país, de forma clandestina, o Correio Braziliense, editado em Londres pelo jornalista gaúcho Hipólito José da Costa.

Para combater seu conteúdo republicano, D. João VI criou a Imprensa Régia que passou então a editar o jornal Gazeta do Rio de Janeiro. Diversos jornais criados até a independência foram em defesa de Portugal e contra os ideais da emancipação, como os periódicos cariocas O Amigo do Rei e da Nação, O Bem da Ordem e O Conciliador do Reino.
Em 1821 surgem as primeiras publicações pró-independência como os baianos o Diário Constitucional e o A Malagueta, e o pernambucano Sentinela da Liberdade na Guarita de Pernambuco.
Com a autonomia política brasileira, em 1822, os jornais panfletários se propagaram em diversos estados: Farol Paulista e o Observador Constitucional de São Paulo, O Precursor das Eleições de Minais Gerais e O Olindense de Pernambuco. O século XIX foi marcado também pelo jornalismo literário, com a presença de escritores de grande expressão, dentre eles José de Alencar e Machado de Assis.

Evolução do Jornalismo Impresso

O jornalismo do século XX evoluiu a partir do aperfeiçoamento do seu estilo aliado ás diversas inovações tecnológicas, através delas inicia-se a produção de jornais em escala cada vez maior possibilitando o acesso às noticias do mundo inteiro em um curto espaço tempo, utilizando ferramenta tais como, telégrafo, telefone, rádio, comunicação via satélite e por fim Internet.
Surgem os grandes jornais, dentre eles o The New York Times,o Le Figaro e o The Sunday Times. No Brasil nascem os grandes diários: Folha de São Paulo, Jornal do Brasil, O Globo e Estado de São Paulo.
As revistas passam a figurar no cenário do jornalismo impresso, fazendo muito sucesso através de um discurso mais interpretativo. Também através das inovações tecnológicas elas se diversificaram e hoje abordam os mais distintos temas, tornando-se veículos segmentados e destinados a assuntos científicos, femininos, esportivos, cinematográficos dentre outros.
O final do século XX assistiu a uma revolução nas tecnologias de comunicação e informação, levando à formação de uma meios de comunicação como instituições de alcance global, tanto para o jornalismo quanto para o entretenimento.
Desde a segunda metade do século XX, várias empresas editoriais publicam jornais semanais que se assemelham a revistas, tratando de conteúdo generalista ou temático.
Muitas revistas, então, deixam de existir. A revista Life deixou de ser publicada em 1972. No Brasil, desaparecem O Cruzeiro e Realidade.
Em 1973, apareceram os primeiros terminais computadorizados para edição jornalística. A fotocomposição começava a substituir a linotipia. Começou a ser testado um sistema que possibilitava a diagramação eletrônica e o envio das páginas direto para a impressão, eliminando o processo de composição manual.
Em 1980, começam as transmissões da rede CNN, que em pouco mais de 10 anos tornar-se-ia a referência em jornalismo televisivo internacional. Ela ganha notoriedade mundial com a cobertura da Guerra do Golfo em 1991.
Os canais internacionais de TV por assinatura, TV a cabo e a Internet comercial só chegaram ao Brasil em 1992, 09 anos depois isso possibilita a transmissão ao vivo do maior atentado terrorista da História, o de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos da América.

Os jornais contemporâneos normalmente são impressos em um tipo específico de papel espesso e áspero - o papel-jornal - cortado em folhas de tamanhos padronizados.

Em jornais diários, as editorias podem ser organizadas em cadernos e suplementos, que são fascículos encadernados separadamente, incluídos no conjunto publicado.
A diferença entre ambos é que, enquanto cadernos são diários, encartados a cada edição do jornal, os suplementos têm periodicidade maior, muitas vezes semanal ou quinzenal.

O conteúdo editorial dos jornais costuma ser dividido em diferentes cadernos, apresentando um ou vários assuntos: Notícias nacionais, notícias internacionais, notícias locais e regionais, economia, esporte, ciência & tecnologia, cultura, turismo, informática, automobilismo, moda.

Os jornais diários, além da divisão em editorias e cadernos temáticos, apresentam outras seções de conteúdo jornalístico não-noticioso. Estão publicados nos cadernos ou páginas especiais.
Editorial, expediente, cartas dos leitores, obituário, coluna social, tempo e clima, horóscopo, efemérides e curiosidades, charge, quadrinhos ou banda desenhada, classificados, imóveis e empregos.

Uma empresa jornalística tradicional apresenta o seguinte organograma:
Proprietário, Diretor-Executivo ou Diretor Administrativo, Diretor Comercial, Diretor de Circulação, Diretor de Jornalismo ou Diretor de Redação. Se reportam ao Diretor de Redação os seguintes profissionais:
Editor-Chefe, Editores, Editor de Fotografia, Chefe de Reportagem, Repórteres, Redatores, Revisores, Diagramadores, Ilustradores, Fotógrafos, Correspondentes, Secretário de Redação.

Referências bibliográficas
ABREU, Alzira Alves de. A Modernização da Imprensa (1970-2000). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.
BALZAC, Honoré de. Os Jornalistas. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999.
DIZARD, Wilson P. A nova mídia: a comunicação de massa na era da informação. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1998
DARNTON, R. e ROCHE, D. (org.). Revolução Impressa – a imprensa na França 1775-1800. São Paulo: Edusp, 1996.
MATTELART, Armand. Comunicação-Mundo: história das técnicas e das estratégias. Petrópolis: Vozes, 1994.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

futuro do jornalismo

O futuro do jornalismo impresso

postado por Carlos Eduardo]

"Sob o título Deu no jornal: jornalismo impresso na era da internet – a Editora da PUC-Rio acaba de publicar um trabalho sobre o jornalismo impresso e a revolução que o computador provocou, e vai continuar provocando, na produção da informação. Trata-se de uma coletânea de textos em que 10 expoentes da imprensa brasileira apontam suas reflexões sobre o tema.
O trabalho, coordenado pelo jornalista Álvaro Caldas, discute a questão de como o jornal do futuro chegará aos leitores neste cenário de grandes transformações e de predomínio da mídia eletrônica. E propõe algumas diretivas para a preservação dos valores permanentes do jornalismo impresso: originalidade, texto interpretativo e analítico, situando o fato dentro de um contexto mais amplo, com pesquisa e opinião.
O autor abre sua reflexão com uma sessão nostalgia. Relembra o ambiente ‘romântico’ das antigas redações pré-informática, com sua atmosfera superpoluída pela fumaça de cigarro, papel sujo no chão, etc. Cada fechamento era uma comemoração. Isto não existe mais. Acabou-se para sempre. Os jornalistas Israel Tabak e Ernesto Rodrigues analisam, nas páginas seguintes, algumas das conseqüências imediatas desta ‘revolução’ sobre o comportamento da reportagem e da própria estrutura da redação. O advento do computador acabou eliminando sumariamente um número considerável de empregos nas empresas jornalísticas.
Nas redações à moda antiga havia uma espécie de liturgia em que a diagramação desempenhava um papel, além de vistoso, absolutamente essencial. Coisa do passado. Aos poucos, um único diagramador passou a servir a vários editores. Numa segunda etapa, o próprio editor foi se tornando diagramador e tudo indica que se exija do repórter que ele seja também seu próprio revisor e que passe a editar suas próprias matérias. É evidente que os leitores mais atentos observam os resultados, nem sempre apreciáveis, de todas alterações: falhas irritantes de digitação, erros abomináveis de português – erros, mesmo, de concordância, de gramática, de regência etc. Mas é preciso repetir: não adiantam lamentos. Tudo isto é absolutamente irreversível.
Ana Arruda Callado apresenta um excelente resumo do que existe de melhor e de mais atual sobre ‘O texto em veículos impressos’. O trabalho de Ernesto Rodrigues, intitulado ‘Em cada editoria um desafio diferente’, mostra o comportamento dos profissionais nas diferentes editorias. É um capítulo que pode despertar curiosidade, mesmo entre aqueles que não são do ramo, porque apresenta alguns aspectos da chamada ‘cozinha’ do jornal, pouco conhecidos do grande público. O trabalho de Arthur Dapieve sobre ‘Jornalismo Cultural’ representa uma incursão realmente instrutiva na bela história do Caderno B do Jornal do Brasil – história que mais tarde iria se repetir em todos os grandes jornais do país. A partir de uma determinada altura, todos os jornais teriam o seu B, que, na maioria das vezes, assumia ares de pequeno semanário.
Cláudio Henrique faz um nostálgico passeio pelos primórdios da Time, e de O Cruzeiro e Manchete, entre outros títulos. O jornalista faz uma análise minuciosa daquilo que constitui a característica das publicações semanais e de suas exigências específicas. Ivan Yazbeck mostra como a introdução da cor provocou uma série de profundas alterações gráficas no jornalismo brasileiro e conduz sua análise até a adoção das técnicas infográficas.
O livro contém ainda um estudo de Clarice Abdalla, professora de radiojornalismo na PUC-Rio, sobre a atividade do jornalista como assessor de imprensa. Como não podia deixar de ser, o livro aborda, ainda, a questão dos ‘Desafios da Ética’ – estudo confiado a Miguel Pereira e Fernando Ferreira.
Mas é no estudo O lide do próximo milênio, do jornalista Fernando Villela, que o livro trata especificamente do ‘Jornalismo na era da internet’. O trabalho vai fundo. Ele lembra que a definição clássica, repetida por ai quase automaticamente, é a de que a Internet é uma rede mundial de computadores. Trata-se, segundo ele, de uma definição própria de engenheiros para engenheiros, incompleta e castradora.
Depois de constatar que a Internet é, de fato, ‘uma grande experiência viva de inteligência coletiva’, o jornalista encerra sua reflexão sugerindo a presença de um homem digital nesse universo em que a informação terá assumido um máximo de densidade em um máximo de velocidade.
Site do observatório da imprensa.
Por: Irineu Guimarães, Jornal do Brasil, caderno Idéias, 25/1/03

O fim do jornal impresso?

Postado por Thalita Tavares

O crescimento geométrico do número de publicações digitais na Web, acompanhado do desenvolvimento ultra-rápido da Internet e sua conseqüente popularização em larga escala, tem despertado uma polêmica interessante entre jornalistas e especialistas em novas tecnologias: o jornal em papel vai acabar? As opiniões são divergentes. Alguns acreditam que os jornais convencionais não sobreviverão ao próximo século. Tudo será digitalizado e até a televisão, como nós a conhecemos, deixará de existir. Outros afirmam que a Internet não representa uma ameaça às publicações impressas e que nenhuma tecnologia, por mais avançada que seja, vai superar a comodidade e o conforto que um jornal ou revista em papel proporciona aos leitores.
De fato, muitas são as vantagens das publicações eletrônicas na Web. Os jornais digitais são mais interativos que os seus correspondentes impressos. Os custos de produção e distribuição, geralmente muito elevados nas publicações tradicionais, são reduzidos sensivelmente na Internet. Os artigos e reportagens podem ser complementados com informações adicionais que não teriam espaço nas edições em papel. As notícias podem ser atualizadas várias vezes durante o dia e acessadas instantaneamente por leitores em qualquer lugar do mundo. Além de todas estas vantagens, há também a possibilidade de se implantar serviços especiais, como consulta a bancos de dados com arquivos das edições passadas, classificados online, programas de busca, fóruns de discussão abertos ao público, canais de bate-papo em tempo real e muitos outros.
Embora as publicações online apresentem uma grande quantidade de atrativos e vantagens que as mídias tradicionais não dispõem, muitos jornalistas e especialistas em comunicação acreditam que o jornal em papel terá o seu lugar na era digital.
"Tradicionalmente, pela extensão de sua cobertura, os jornais sempre informaram mais do que a televisão. Trata-se de radicalizar esta postura", reforça. Khammel afirma ainda que grupos editoriais em todo o mundo estão aplicando grandes quantias de dinheiro na modernização do parque gráfico de seus jornais e isto representa uma clara evidência de que os empresários do setor continuarão a investir em seus produtos impressos.
De fato, nada se compara à praticidade e o conforto proporcionados pelas publicações impressas. Para ler um jornal ou revista através do computador, é preciso fazer um certo esforço, já que geralmente os leitores estão sentados desconfortavelmente e os atuais monitores ainda não são idealmente adequados ao sistema óptico humano. Além disso, a depender do design de navegação do site, do tráfego de dados nas infovias e da velocidade de conexão, ler uma publicação digital na Internet pode tomar bastante tempo do usuário.
Ao que tudo indica, os jornais impressos não vão desaparecer, pelo menos a médio prazo, principalmente porque eles ainda são os grandes responsáveis pela maioria esmagadora dos lucros (que não são poucos!) das companhias jornalísticas. Além disso, os jornais tradicionais podem conviver sem nenhum problema com as suas versões digitais, através de uma relação de parceria onde um pode auxiliar o outro.
Os jornais e revistas digitais de fato não representam uma ameaça às publicações tradicionais. Pelo contrário, eles podem ser usados pelas empresas jornalísticas como excelentes ferramentas de marketing para promover seus produtos impressos e, ao mesmo tempo, tornarem-se, a médio prazo, um investimento bastante lucrativo.
Não existem, até agora, modelos definidos nem fórmulas prontas que garantam o sucesso de um empreendimento na mídia online. Há ainda muita coisa a ser explorada na Internet do ponto de vista jornalístico, mas o setor já deu passos importantes nos últimos cinco anos e algumas experiências parecem estar se consolidando como possibilidades viáveis. A criatividade e a originalidade, no entanto, continuam sendo peças chaves no desenvolvimento de novas estratégias para se ganhar dinheiro na rede. As empresas que souberem utilizar estes dois elementos, aliados à oferta de serviços úteis e de qualidade serão aquelas que estarão comemorando a decisão de terem investido na Internet.
Retirado do site: www.facom.ufba.br